Juiz Federal é preso como vagabundo!
Sexta-Feira, 14 Março 2008
Li esta semana, um artigo na página da OAB/RJ onde um juiz federal conta sua própria história da realidade vivida por muitos inocentes nas ruas das grandes cidades.
Voce pode ler aqui o artigo na íntegra que atestar a legitimidade do mesmo!
O Juiz, a Polícia e o Malandro
Por Roberto Schuman
Segunda-feira de carnaval, saio de casa perto das 22:00 horas para encontrar a namorada na porta do Circo Voador, na Lapa. Lá chegando, saio do táxi falando ao celular para encontrá-la. Mas não é só. Além de tênis, bermuda e camisa, usava um chapéu, desses vendidos em todos os cantos da cidade a R$ 5,00. Presente da namorada. Coisa de mulher.
Então, atravesso a rua e quase sou atropelado por um camburão com luzes e lanternas apagadas com a inscrição CORE no carro. No mesmo momento o motorista grita ” Ô malandro” e eu, assustado, dou um pulo para a calçada, peço desculpas e viro as costas, continuando ao celular e andando, já na calçada.
Ai, percebo que a viatura andava ao meu lado, com três policiais de preto, ao que escuto, em alto e bom som: “Saia da rua, seu malandro e bêbado”. Nesse momento, pensei: Isto não é jeito de tratar as pessoas na rua e respondi: “Não sou bêbado nem malandro; se vocês não estiverem em operação, está errado andarem com essa viatura preta e apagada, pois quase me atropelaram e vão acabar atropelando alguém!”
Oportunidade em que os homens de preto descem da viatura dizendo: “Ô malandro, tu é abusado, tá preso”. Ato contínuo, diante da voz de prisão, estendo os dois braços para ser algemado. Pergunto ao mais novo dos três, que estava completamente alterado: “Qual o motivo da prisão?” Resposta: “Desacato”. Pergunto novamente: “O que os senhores entendem como desacato?” Resposta: “Até a DP a gente inventa, se a gente te levar pra lá”. Neste exato momento, percebendo a gravidade da situação, disse: Estou me identificando como juiz federal e minha identificação funcional está dentro da minha carteira, no bolso da bermuda. Imediatamente o policial novinho, que se identificou como André e na DP disse se chamar Cristiano meteu a mão no meu bolso, pegou a minha carteira e a colocou em um dos bolsos de sua farda preta. Então o impensável aconteceu! Disseram: “Juiz Federal é o c…, tu é malandro e vai para a caçapa do camburão.”
Fui atirado na mala do camburão como bandido, algemado, porém, com o celular no bolso e os três policiais do CORE da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, dizendo que no máximo eu deveria ser “juiz arbitral ou de futebol”. Temendo pela vida, por incrível que pareça me veio aquela frase de Dante, da sua obra “Divina Comédia”: “Abandonai toda a esperança, vóis que entrais aqui”. Então, sem perder as esperanças, peguei o celular do bolso mesmo algemado e liguei para a assessoria de segurança da Justiça Federal informando a situação, bem baixinho, e que não sabia se seria levado para DP, pedindo para acionar a PM e localizar a viatura do CORE que estava circulando pela Lapa comigo jogado algemado na mala.
Após a ligação, disse-lhes uma única coisa, ainda na viatura. “Vocês estão cometendo crime”, ao que escutei dos três, aos risos: “juiz federal andando com esse chapéu igual a malandro. Até parece. Se você for mesmo juiz, a gente vai chamar a imprensa, pois juiz não pode andar como malandro.”
Na delegacia, as gracinhas dos policiais continuaram: “Olha o chapéu do malandro”. Então eu disse, já me sentindo em segurança: “Vocês querem que eu tire o chapéu e vista terno e gravata?”
O fato é que já na presença do delegado as algemas foram retiradas e, vinte minutos depois, um dos policiais de preto vem ao meu encontro e me pede: “Excelência, desculpas, nos agimos mal, podemos deixar por isso mesmo?” Respondi: “Primeiro. Não me chame de Excelência, pois até há pouco vocês me chamavam de malandro. Segundo. Não, não pode ficar por isso mesmo. Como é que vocês tratam assim as pessoas na rua, como se fossem bandidos. Terceiro.
Vocês três não honram a farda que estão vestindo. Quarto. Desde a abordagem policial agi apenas como cidadão, no que fui desrespeitado e, depois de ter me identificado como juiz federal, fui mais ainda, logo, um crime de abuso de autoridade seguido de outro de desacato.
Depois do circo montado pelo próprio agente do CORE Cristiano, que ligara do interior da DP para os repórteres, de forma incessante, talvez temendo que ele e seus dois colegas de farda preta fossem presos por mim no interior da DP, decidi não fazê-lo porque em nada prejudica a instauração de procedimento administrativo na Corregedoria da Policia Civil, bem como a ação penal por abuso de autoridade e desacato, sendo desnecessário mencionar o dano à minha pessoa, como cidadão e magistrado.
Pensei, por fim: “Se como juiz federal fui ameaçado por três homens de fardas pretas com pistolas automáticas, algemado e jogado como um bandido na mala de um camburão, simplesmente por tê-los repreendido, de forma educada, como convém a qualquer pessoa de bem, o que aconteceria a um cidadão desprovido de autoridade e de conhecimento dos seus direitos?” Duas coisas são certas, de minha parte: Não permitirei nada “passar” em branco, pois são fatos sérios e graves que partiram daqueles que têm o dever de zelar pela segurança da sociedade e, no próximo carnaval, não usarei o presente da namorada, o tal “chapéu”. É perigoso. Pode ser coisa de malandro.
Roberto Schuman
Cidadão e Juiz Federal no Estado do Rio de Janeiro
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1. Sharon | Sexta-Feira, 21 Março 2008 at 17:26
Um total abuso…. mas infelizmente é o q ocorre nas ruas… e muitos magistrados em suas “cadeiras” julgam de maneira desigual, se esquecendo que a justiça deveria ser a mesma a qq classe social…
2. David Figueiredo | Quarta-feira, 2 Julho 2008 at 14:10
Fico pensando como teria sido comigo, apenas um juiz Arbitral?
3. Moises | Segunda-feira, 29 Dezembro 2008 at 18:00
casos como estes existem no Brasil inteiro, algo parecido aconteceu comigo em SSA, por tentar impedir três autoridades policial por atos arbitrário e desumanos apresentando-me como estudante de direito e a unica diferença no meu caso foi que fui algemado, ameaçado de morte por uma tenente dentro da viatura, espancado e colocaram na sela que eu estava um “possível” marginal que tive que proteger-me lutando para não morre pq a tenente motivou o preso dizendo que eu era tarado.
4. Moises | Segunda-feira, 29 Dezembro 2008 at 18:03
caso como estes infelizmente existem no brasil inteiro!
5. silvia | Domingo, 26 Julho 2009 at 16:35
É muito fácil criticar a atuação da polícia, e pq o juiz no momento em que os policiais vieiram novamente falar com ele, não se identificou, ou mesmo entrou em contato com a central da Polícia Civil para informar o que aconteceu… se esse juiz trabalhasse na rua, como policiais trabalham, veria como todo cidadão infrator menciona logo que é autoridade, ou conhece fulano que é autoridade, etc. Todo mundo adora criticar a Polícia, seja civil ou militar, é certo que existem profissionais ruins em todas as profissões, inclusive na de Juiz, que tem vários privilégios e sempre está no conforto de sua sala para tomar decisões, e não dentro de uma viatura velha, quente, e tendo que tratar com bandidos fortemente armados, que tem cmo “cartão de visita” tiros de fuzil. Gostaria de ver qual seria o nível de educação e estresse desse juiz qndo fosse tratado assim por bandidos de grande periculosidade. Como cidadão esse juiz tinha é que lutar para melhorar o salário do policial e sua qualificação e não simplesmente criticar policiais, que isso aí muita gente já faz.
6. gilvan | Quinta-feira, 13 Agosto 2009 at 12:20
fico bastnte triste e ao mesmo tenpo feliz porque uma altoridade como o sr juiz passou por um momento constrangedor e minutos de oror como varios cidadoes passam todos os dias e as vezes pior nao leve a mal mas quero dizer que o sr passando por isso provavelmente sera mais um “com poder” que podera lutar para melhorar anossa policia e assim acabar com o abuso de altoridade maus tratos e tirar o trauma que a maioria da populacao tem da policia pois aifnal temos mais medo da policia q d bandidos ou tememos os dois igual.
7. Wilson Muniz Pereira | Quinta-feira, 5 Novembro 2009 at 8:20
AOS POLICIAIS: Civil, Militar e Federal o meu apelo plangente: Se você é um policial, lembre-se de que:
- Seu dever é proteger os cidadãos, garantindo suas liberdades asseguradas na Constituição;
- Não deve abusar de sua força física ou da autoridade conquistada por concurso seletivo dificílimo;
- Não deve cometer um crime para descobrir outro;
- A violência que você cometer poderá resultar na perda de seu emprego, em pagamento de indenizações às vítimas e em sua condenação criminal;
- Agindo com violência, você estará contribuindo para que a violência se perpetue. Amanhã, a vítima poderá ser você ou alguém de sua família;
- Sua arma só poderá ser utilizada em casos de extrema necessidade. Leia e/ou estude um pouco mais sobre a matéria: “Ordem de prisão e suas formas legais”;
- A autoridade deverá se impor sempre pelo respeito e não pela força do arbítrio, da violência desmedida e desnecessária, totalmente inconseqüente.
CUMPRA COM SEU DEVER, DENTRO DA LEI. SEU TRABALHO SÉRIO E HONESTO É INDISPENSÁVEL PARA TODOS NÓS. A SOCIEDADE PRECISA CONFIAR EM VOCÊ. NÃO QUEREMOS TEMER, MAS SIM RESPEITAR E ADMIRAR O SEU DESEMPENHO FUNCIONAL!
8. Arnaldo Mendes | Quinta-feira, 5 Novembro 2009 at 8:33
Esse comentário do senhor Wilson foi o melhor conselho que se poderia dar a uma autoridade constituída de forma legal. De modo cristalino ele diz que não se deve banalizar o abuso de autoridade. Infelizmente o despreparo social, cultural e, principalmente profissional dos que se excedem ainda encontra defensores em nome dos baixos salários e condições subumanas de trabalho.